Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Olha eu Aqui...

Aqui está tudo certo
Mesmo desorganizado

Aqui tem muito choro
Mas há quem faça cócegas

Aqui tem saudade
Graças a Deus, telefone também

Aqui tem medo sofrer
Mas tem sofrimento até por quem machucou

Aqui tem pai e mãe
E confiança e liberdade

Aqui se vive uma democracia
Onde a fé reina soberana

Aqui tem ex-namorados
Mas não existem ex-sentimentos

Aqui tem coisas escondidas
Quem não gosta de caça ao tesouro?

Aqui é tudo colorido
Já que preto e branco também são cores

Aqui há quem enfrente o futuro
Porque já venceu o passado

Aqui não é perfeito
Mas Aqui estou eu!















*Desculpem o sumiço. Mas, apesar de nem tudo ter uma explicação, isso tem. Qualquer dia desses escrevo sobre isso. Hoje não, tá? O importante é que me sinto bem quando perto de vocês, mesmo distante. Beijos!

Sexta-feira, 8 de Maio de 2009

2 é par


“E até quem me vê lendo o jornal na fila do pão sabe que eu te encontrei.”


Não jogo declarações de amor na cara de ninguém. Amo baixinho, quase sussurrando, dando calafrios. Não necessito que os outros saibam o que só nós precisamos sentir. Não faço amor explícito. Mas quem olhar para mim, só de relance mesmo, já vai notar a diferença entre mim e eu com você. Já que minha cútis, meus cabelos e meu sorriso não conseguem mais disfarçar. Amor, até implícito, solta aos olhos. Porque amo com o corpo todo e estou com você à flor pele. Vivo com aquele ar que só os românticos sabem entender, sentir, explicar, tudo mesmo tempo, mas até os mais céticos conseguem ver. O brilho no meu olhar grita o que meu silêncio não precisa falar. Faço, sem querer, o que sempre quis que fosse assim, mesmo sem saber. Hoje, eu sou par porque nós é 2.

Quarta-feira, 29 de Abril de 2009

Sou.

Sou.
Assim,
sem predicativo e sem fazer ligação.
Porque ser,
só sendo mesmo,
já é complicado demais para mim
e se engana quem vê simplicidade nisso.
Ser-o-que-é não é uma redundância,
ser-o-que-é é quase um eufemismo.
Porque ser é grande.
Ser é tão amplo que
me toma todo o ar.
Vivo para ser.
Por isso,
ser, às vezes,
me cansa.

Sou.
Assim,
sem complemento nem adjetivo.
Porque ser,
esse ser completo,
já é difícil demais para mim
e ingênuo é aquele que vê naturalidade nisso.
Porque ser não é inocente.
Ser é tão culpado que
se torna quase uma obrigação.
Ser me toma todo o tempo.
Não paro de ser.
Por isso,
ser, às vezes,
me cansa.

Sou.
Assim,
um verbo irregular.
Porque ser,
esse ser complexo,
já é ser demais para mim.
E inconstância não é sujeito simples,
é sujeito sempre.
Então continuo a ser,
mesmo sem saber
ou querer.
Por isso,
ser, às vezes,
me cansa.

Quarta-feira, 22 de Abril de 2009

Para sempre amar para sempre

Se amor é para sempre? Claro que é! Ou se ama para sempre ou não é amor de verdade, daqueles que enchem as salas de cinema de choro e beijo na boca. Eu já amei para sempre. Amei para sempre, até ter que ir embora. Amei para sempre, até por um único fim-de-semana. Amei para sempre, até quem não soube me amar. Pois amo sem a angústia do fim das coisas, sem a pressão do fim dos tempos, sem o medo do fim do mundo. Amo sem seguir calendário, sem olhar o relógio e sem me preocupar se vai dar tempo gostar. Amo aproveitando cada tempinho que o para sempre sempre tem para dar.

Quem ama para sempre está livre da hora marcada, dos minutos contados e dos segundos perdidos, já que, o tempo todo, todo o tempo é eterno e tudo que é eterno tem a tranquilidade de não saber terminar. Quem ama para sempre não tem um amor aflito, não faz amor apressado e não agenda uma surpresa ou uma declaração. Quem ama para sempre conta os dias pelas noites dormidas juntinho, e assim, com o tempo, se esquece de saber o que é solidão.

Amar para sempre não é enganar a morte ou trapacear no jogo, não é pecado capital ou suicídio em longo prazo e não é ludibriar um futuro ferido ou tornar-se seu próprio bandido. Amar para sempre é seguir o que o destino coloca no caminho, porque ele sempre vai levar o amor e o tempo ao mesmo lugar, até para quem se preocupa em se preocupar. Amar para sempre é amar para sempre, até o tempo se encarregar de ser notado, infelizmente, e o para sempre ter começo, meio e fim, finalmente. Mas, até aí, já fui feliz para sempre, durante todo o tempo que pude, e isso nem o tempo pode tirar.

Então, se você tem um amor hoje, faça dele um amor para sempre, pelo menos até o dia acabar.


Segunda-feira, 20 de Abril de 2009

Meu ponto de vista

Campo aberto, horizonte para todos os lados e eu caminhando para frente. Ou seria para trás? Tanto faz, porque não sou referência, não tenho referencial e não referencio ponto cardeal parado. Olho para frente, que é rumo de quem vai. E eu sou de ida. Ando de partida. E vou. Mas volto. Meia volta, volta e meia, já. Porque o que era é trás pode virar frente. Depende. Mas pouco importa, já que meus olhos, esses sim, são norte. Sempre. E eu olho para todo lado para ver até o lado de dentro. Assim, o que já foi visto já foi vivido, sentido, concretizado. Então não tenho medo de encarar meu passado, de não prever o futuro e de enxergar que eu sou meu guia. E já que os olhos são meus, quero ver o lado bom da vida. Sim, o olho a vida pelo lado que me convém. Porque o pior cego não é aquele que não quer ver, cego mesmo é aquele que só enxerga um dos lados da moeda. E ô coisa difícil essa de mudar a moeda de lado! Porque, às vezes, precisamos de mais, muito mais, que força para conseguir observar o que o óbvio joga na nossa cara. E ter mais que força é ter vontade. Sim, tenho força de vontade, vejo ângulos diferentes e percebo que diferente sou eu, que sou míope e não preciso de óculos para enxergar o melhor que a vida tem para mostrar. Então vejo que o colorido das coisas depende sim do ponto de vista de quem vê, porque hoje “há flores em tudo que vejo” e fui eu que as plantei. E é bom saber que o lado bom da vida está do meu lado, que minha moeda está virada para o lado certo e que vejo o lado positivo por todos os lados.

Sábado, 18 de Abril de 2009

Distraidamente feliz


Ela acordava. Acordava e era feliz. Hoje não é mais um dia, pensava. O hoje é a vida acordando e dizendo bom dia. Para ela, café da manhã é café da manhã e pronto. Ela comia, mas não pensava em como seria o dia. Só comia. Comia e era feliz. Ela era distraída. Distraída, se batia sempre em coisas e em cantos. Se batia, tropeçava e era desastrada. Era assim e não reclamava. Era assim e era feliz. Porque um dia ela esbarrou no amor de sua vida. Pediu desculpas e ele pediu um beijo. Ela beijou e se apaixonou. Então beijava e era feliz. Para ela, simplesmente viver é jeito de levar a vida. Ela vivia assim, como quem não quer nada mais da vida, além da vida. Então simplesmente vivia. Vivia e, só por isso, já era feliz.

O que salva então é viver distraidamente.*













*A frase final é uma adaptação da frase de Clarice Lispector em Paixão Segundo G. H. pela qual me apaixonei... “O que salva então é escrever distraidamente.”

 
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